RESSOCIALIZAÇÃO

"MAS ESSES BANDIDOS SAEM DA CADEIA E SEMPRE VOLTAM PRO CRIME, TEM QUE MATAR MESMO".

Esse é o discurso que ouço de muitas pessoas, pelas redes sociais, pela mídia e em conversas cotidianas. Os politicamente corretos, aqueles que nunca erram, batem no peito bradando: "Bandido bom é bandido morto, porque nunca mais se recuperam".

Aí me deparo com a seguinte situação: uma pessoa fica presa por quase 7 anos sem uma sentença transitada em julgado, totalizando quase 1/3 da pena, é liberada para recorrer em liberdade e quando sai do sistema penitenciário foi trabalhar. Isso é errado? Isso é ruim? Isso vai contra os princípios da sociedade politicamente correta?

Sim. Estou falando do GOLEIRO BRUNO. Condenado em primeira instância a aproximadamente 18 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado. Passou quase 7 anos preso sem uma sentença transitada em julgado e agora, num lapso de lucidez do STF, foi liberado em recente decisão.

Em liberdade provisória - assim como estão muitos daqueles que respondem um processo criminal - recebeu uma proposta de emprego e aceitou. SIM, ELE VAI TRABALHAR. Sua profissão é jogador de futebol. Da mesma forma que um pedreiro quando sai do presídio volta a construir casas, da mesma forma que um taxista irá voltar a dirigir, exatamente igual. Não fosse a exposição da mídia e a "fama" do goleiro tudo isso não causaria tanta repercussão e revolta, mas isso é uma outra discussão.

Não tenho conhecimento dos autos do processo, não sei quais foram as teses defensivas ou acusatórias e se ele tem ou não chances de ser absolvido e muito menos discuto a gravidade do crime. A questão é que um cidadão, em liberdade concedida pela nossa Suprema Corte, está buscando um trabalho digno. Em razão disso, moralistas e politicamente corretos continuam em uma eterna inconformação, seja por alguns serem liberados e voltarem ao cenário criminal ou por saírem da prisão e buscar um trabalho de verdade. No mínimo estranho!

Olhem na sua volta, ouçam suas próprias palavras. Não estou pedindo que o admirem ou aceitem o crime que o Ministério Público afirma que ele cometeu. Não peço que tirem "selfies" e coloquem "hashtags" em sua homenagem. Só gostaria que as pessoas se colocassem mais no lugar das outras, talvez assim, resolveríamos grandes parte dos nossos problemas. Todos podem recomeçar, seja qual for o seu erro. Felizes os que recebem uma oportunidade e tem coragem pra seguir em frente!

Valdir Fontoura de Souza Júnior.
14/03/17

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